ENTREVISTAS

Nesta seção, apresentamos um breve resumo do conteúdo discutido nas entrevistas com membros do Grupo Técnico de Remuneração durante Fase de Observação


dr. pAULO

Sindihospa - Sindicato Hospitais Porto Alegre

Com uma visão bem ampla sobre o sistema de saúde, médico com especialização em gastroenterologia, trabalhou na gestão de hospital e como auditor em operadora e atualmente é diretor no SINDHOSPA, sindicato dos hospitais de Porto Alegre.

Conversamos com Dr. Paulo sobre sua relação pessoal e de sua família com a saúde e o relacionamento entre clínicas, laboratórios, hospitais, médicos e operadoras. Abordamos modelos de pagamento no sistema suplementar e como eles estavam desenvolvendo alternativas de remuneração com alguns hospitais e operadoras em Porto Alegre, como o conceito de orçamento global com banda de risco. Ouvimos também sobre a visão de oferta e demanda na saúde, com características específicas, diferentes de outros mercados e como é tratado, nesse ambiente, critérios de qualidade, performance, transparência e qual é o espaço do paciente nesse contexto. Outro ponto importante sobre o qual conversamos foi a importância de se influenciar uma mudança de cultura em todo o sistema, do médico ao paciente, que hoje é passivo em relação à sua saúde.

 

Dra. Miyuki Goto

AMB

 

Dra. Miyuki Goto é médica e assessora da Diretoria de Defesa Profissional da AMB (Associação Médica Brasileira). Conversamos brevemente com Dr. Zilli, que estava em outra cidade, mas por conflito de agenda não pôde permanecer na linha.

Por ser médica, dra. Miyuki nos deu uma visão geral sobre médicos: a formação na faculdade, a questão médico especialista e generalista, como se especializam, quais são as formas de remuneração nos diversos locais de trabalho e como é o relacionamento médico-paciente. Também entendemos como funciona a tabela CBHPM (Classificação Brasileira Hierarquizada de Procedimentos Médicos) e conversamos sobre modelos de remuneração e seus riscos. Entendemos o impacto que a boa ou má formação médica tem no sistema de saúde: quando o médico não se sente preparado ou confiante, há uma tendência em pedir exames que não seriam necessários para se sentir mais seguro no diagnóstico.

 

Luiz Felipe Costamilan

ANAPH

Luiz Felipe Costamilan é ‎Diretor de Relações Institucionais na Anahp (Associação Nacional de Hospitais Privados) e inicialmente nos contou sobre a atuação da Instituição e como os associados compartilham conhecimento.

Conversamos sobre a complexidade do sistema de saúde e que por conta disso a discussão vai além de modelos de remuneração. Foi abordado também a história do fee for service (como surgiu no Brasil) e modelos de gestão como o DRG. Qualidade foi um tema relevante na conversa e vimos como a percepção de qualidade do paciente está distante do que é ‘qualidade’ para os hospitais e o quanto o termo não é claro para muitos atores no mercado. A necessidade de se remunerar os prestadores de acordo com valor e performance foi discutida e que para isso é necessário medir qualidade.  Conversamos sobre o comportamento do paciente e como ele detém poucas informações sobre o sistema. Ficou clara a necessidade de informá-lo e conscientizá-lo sobre o uso do sistema. Também foi abordada questão das atenções primária, secundária e terciária e como a forma como o modelo assistencial está desenhado impacta o sistema como um todo.

 

BRUNO SANTOS E SANDRO LEAL

FENASAÚDE

A Federação Nacional de Saúde Suplementar (FenaSaúde) representa 18 grupos de operadoras de planos privados de assistência à saúde, totalizando 23 empresas. Conversamos inicialmente com o Bruno Santos (e em seguida o Sandro Leal se juntou a nós) sobre a visão deles sobre o atual modelo de remuneração, principais dores das operadoras, motivos de resistência à mudanças e desconfiança entre os atores do sistema.

Falamos sobre o comportamento e cultura da população em relação aos serviços privados de saúde e como a legislação impacta na atenção hierarquizada do sistema. Um ponto importante foi a necessidade de envolvimento da população para que se tenha mais clareza do cenário atual do sistema de saúde suplementar. Ouvimos também sobre informação, que muitos prestadores coletam diversos dados, mas esses não são compartilhados de forma coletiva e quais benefícios existiriam com esse compartilhamento, como maior controle de fraudes no sistema. Foram abordados ainda outros temas como ressarcimento ao SUS e fatores macroeconômicos que influenciam o sistema. Por fim conversamos sobre judicialização e como muitas vezes as pessoas processam planos por procedimentos que não estão no contrato e como isso afeta os demais beneficiários, que acabam pagando essa conta.

 

DANIELE COUTO E DANIELA MEDEIROS

UNIMED (poa)

Em Porto Alegre a equipe conversou com Daniele Couto (Superintendente de Provimento de Saúde) e Daniela Medeiros (Gerente da área de Gestão e Relacionamento com Prestadores de Saúde).

Falamos sobre a robusta estrutura que os prestadores e operadoras precisam ter para pedir autorização/revisar e aprovar procedimentos, o que entendemos como o “custo da desconfiança”. Comentaram sobre iniciativas de construir de forma diferente a relação com o prestador, que seja ganha ganha, assim como tentativas de implementar outros modelos como o DRG. Ouvimos sobre os desafios do fee for service na visão delas e como alguns não querem mudar por medo de perder.  Grande parte da conversa girou em torno do paciente: o beneficiário é a razão de ser das operadoras e por conta disso, o olhar deve ser voltado para ele e para a assistência que está sendo entregue.

 

DR. ALEXANDRE

SOCIEDADE BRASILEIRA DE NEFROLOGIA

Conversamos com o Dr. Alexandre Silvestre Cabral sobre problemas na visão dele sobre fee for service e como o modelo pode distorcer as decisões médicas.

Falamos bastante sobre a questão de indicadores na área de Saúde. Ficou claro que de maneira geral os pacientes não tem conhecimento para entender alguns indicadores e que olhar friamente para eles pode levar o público a uma conclusão errada. Deve-se portanto, traduzir esses números de alguma forma para que se crie uma linguagem comum.

 

DRA. CARMEM

SOCIEDADE BRASILEIRA DE NEFROLOGIA

Dr. Carmen reforçou as dificuldades de integração entre os sistemas privado e público, e a falta de incentivo para a formação de médicos generalistas, que se refletem desde a formação na Universidade até a estrutura de atendimento. Além disso, citou como ponto de atenção a criação de indicadores que podem não considerar as diferenças entre especialidades médicas.

 

DR. TAÍSSA

IQG - INSTITUTO QUALIDADE GESTÃO

Conversamos sobre a história da IQG (Instituto Qualidade Gestão) e como ela atua como creditadora. Um dos pontos levantados é o gap de “médicos-gestores”, que pode influenciar na maneira como os resultados para o paciente, considerando processos e indicadores, podem ser atingidos. Também há uma dificuldade de mensuração de custos do paciente numa “linha-ótima” por parte dos Hospitais.